quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Ao ler o que escrevi há cinco anos, percebo uma mudança considerável na forma como me expresso. Meus textos ganharam um pouco de maturidade, visão crítica aguçada pela experiência de vida, atenção redobrada quanto a grafia e regrinhas de português essenciais pra vida de qualquer pessoa que pretende ter nas palavras o seu ganha pão. Mudaram os assuntos também, as vezes não tão melancólicos e menos românticos (apesar de ainda escrever muito sobre relacionamentos), mas agora tenho outras tendências que dividem o espaço com as antigas ideias.
Mudaram os textos. Eu acabei mudando junto.
Os meus textos nada são que o reflexo daquilo que sinto, da confusão dos pensamentos e dos sentimentos que nem eu sei as vezes conceituar.
Desde o momento que comecei a transcrever para o papel o que se passa comigo e minha visão sobre o mundo, eu mudei. Mudei com o mundo, mudei comigo, mudei com tudo. A mudança foi desde a época do colegial à novas regras de português.
Gosto de fazer leitura das coisas que eu escrevi, dos textos nunca publicados, gosto de combiná-los com música, não qualquer música, mas sim aquelas que fizeram parte de um momento especial da minha vida. Agora mesmo estou escrevendo e ouvindo uma delas: Could it be any harder, The Calling.
Hoje completo 22 anos, e sei que nesses 22 anos não tenho nem o 1/3 da vida que pretendo ter, mas sei que tenho mais que alguns que por ironia do destino já se foram.
As vezes me sinto uma velha, e levo essa sensação para a escrita. As vezes sinto que estou no auge da juventude, mas que nada é igual quanto eu tinha 17 anos, onde tudo parecia brincadeira.
Tenho uma vida diferente da qual eu planejei pra quando eu completasse 22. Não tão feliz quanto eu queria, nem tão cheia de feitos magníficos ... Uma vida que apesar dos pesares agradeço por ter. Consegui ter coisas que não esperava e surpresas maravilhosas.
Hoje ao completar 22 anos sei que ainda tenho muito o que fazer, espero poder realizar tudo o que pretendo e buscando nos textos mais maturidade e uma forma de tentar entender a mim mesma.

Um comentário:

Contra a morte disse...

Eu escrevo em diário desde meus 12 anos e nada penso que isso é algum tipo de carência e/ou idiotice, muito pelo contrário... Escrever em diário ou algum texto que nos mostre quem somos é um modo de nos conhecer e auto-avaliar, tal como fizeste frente ao teu novo ano de vida. Acredito que temos, por escrever, um domínio muito maior dos nossos limites, algo que poucos têm. No entanto, a vida é muito mais, e nada ou pouco desse "muito" ou desse "mais" é transpassado para o papel. Por isso é tão difícil que outra pessoa sinta a nostalgia e plenitude que nós, autores dos textos, sentimos.
Lindo teu texto, Naná. E espero que ele te sirva ainda para muitas lições.