domingo, 6 de setembro de 2009

Sede

De água
De cerveja
De coca-cola
De suco de manga
De café
De leite
De açaí
De cupuaçu
...
De verdade
De paixão
De amor
De sabedoria
...
De querer
De poder
De voltar
De ir
De ter
De sempre
...
De ser
De viver

É só ter sede.
Sacie-se!



Eis a saudade, mergulhada na imensidão do mundo.
A saudade que eu tenho, que me entrelaça num abraço
Perdido, profundo e verdadeiro.
Aquela saudade que vi um dia chegar,
A saudade que voltou para mim...


Foto: Naná Manfredini

Você não costuma sentir falta do que não teve, isso é óbvio, porém, você pode sentir falta do que um dia você esperou ter. Sim, isso pode acontecer,pois, toda a expectativa de anos a fio para uma oportunidade de ser detentora da proteção, do amor, carinho, afeto de uma única pessoa traz uma sensação de perda, quando com o passar dos anos você percebe que aquilo foi uma imaginação ou apenas uma esperança.
É engraçado que ainda assim você espera, busca, acha que algo vai mudar, mas dentro de você a certeza de que isso não irá acontecer é maior do que qualquer sentimento.
É tão confuso ter e não ter.

domingo, 16 de agosto de 2009


Mudar?

É necessário.
"Era como se ela quisesse fugir dali, o sol não parecia mais o mesmo de outrora, as pessoas pouco buscavam nela a sensação de alegria que momentos atrás ela emanava.
A vida é um redemoinho, como dizia aquela canção, mas talvez os sonhos ainda não tinham sido triturados, mas estavam escondidos, só que aquela brincadeira de esconde-esconde não era mais tão engraçada como fora. Ainda era forte, mas a decepção custou-lhe o coração, e este necessitava se recuperar... E lá vinha a onda outra vez, e agora o que será?"

Altruísmo.

Não se pode impedir alguém de ir embora, deixar partir talvez seja um dos maiores gestos de amor que podes dar a alguém. É bem por isso que alguns sofrem tanto, quando sem pestanejar abrem mão daquela pessoa tão especial e que tem suma importância na sua vida.

Mais que o simples sofrimento por não ter mais esta do seu lado, é a dor provocada por fortes lembranças que chegam sem avisar, e fazem escorregar leves lágrimas na face, ou quando não te deixam respirar porque aquele nó na garganta parece te sufocar lentamente.

São vários os momentos que temos que abdicar, um amo platônico, um namorado, uma grande amizade, um situação e creio que o maior de todos, é quando alguém da família muito próximo tem que partir, e ainda mais quando esse alguém é pai ou mãe. O que carregam com essa nomenclatura não é só a imagem de oponência dada a pai e mãe, mas sim a vasta experiência que eles trouxeram e te deram ao longo da sua vida. Por anos a fio, enquanto foste criança, eles ficaram zelando pelo teu sono, quando saudável ou doente te encontravas, te ensinaram coisas que foram essenciais para tua formação de caráter, te mostraram de certa forma como o mundo poderia ser pelos olhos de um adulto, e quando foste crescendo aos poucos vieram transformações nada agradáveis para ti, estresses de aborrescente, a imagem dos pais como monstros sempre atrapalhando o "namorico" ou sempre repudiando tuas atitudes, mas sempre quando a decepção chegou, ao colo de um deles recorrias sempre. Até mesmo quando te julgando adulta choraste por um amor mal resolvido, ou pela frustração do teu emprego, lá estavam eles ao teu lado, chorando contigo e te pondo para cima.

Talvez os meus pais nunca saibam de tudo isso que escrevo, mas neste momento de profunda mudança seja necessário expor de alguma forma o que sinto.

Ao saber com muita tristeza que minha mãe irá embora do meu convívio (não, ela não morreu e nem vai morrer tão cedo, assim espero) a sensação que essa independência que tanto almejava foi embora, não quero, quero ser aquela criança que ainda precisa dos cuidados dela, precisa da dedicação dela quando doente eu me encontrar ou simplesmente ter o afago de todos os dias e o beijos de boa noite, mas descobri quão egoísta eu sou, sim, muito egoísmo, e que não sou eu quem precisa de tudo isso, ela também precisa, e precisa mais do que eu, por tudo que ela passou e o que já sofreu, nada mais justo que ela tenha a oportunidade de ser feliz. E eu, não fui a filha que esteve lá quando precisou, estava perdida em meus sentimentos e medos e não deixei que ela entrasse ou a ajudasse no seu momento de doença ou simplesmente quando ela se sentiu solitária, e por isso, eu não mereço pedir que ela fique.

Medo de perder? Sim, tenho muito, até mesmo porque a distancia trará dificuldades que facilitarão o esquecimento, porem, minha amiga disse que por mais medíocre que o filho seja uma mãe nunca esquece. Mas nunca se sabe.

Futuro? É dele que mais receio...

Saudade? Ela já habita em mim há tempos.

Amor? Sempre.

Desejo? Que ela encontre a felicidade.

E se eu tivesse o poder de decidir a vida dela, eu a deixaria partir de qualquer maneira.
Altruísmo descoberto após intensas crises de egoísmo.

Tentarei aproveitar os dias antes dela partir, aproveitarei essa semana, até o domingo.. e chorarei sem medo e vergonha, e direi o quanto eu a amo e sentirei falta dela .

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Ao ler o que escrevi há cinco anos, percebo uma mudança considerável na forma como me expresso. Meus textos ganharam um pouco de maturidade, visão crítica aguçada pela experiência de vida, atenção redobrada quanto a grafia e regrinhas de português essenciais pra vida de qualquer pessoa que pretende ter nas palavras o seu ganha pão. Mudaram os assuntos também, as vezes não tão melancólicos e menos românticos (apesar de ainda escrever muito sobre relacionamentos), mas agora tenho outras tendências que dividem o espaço com as antigas ideias.
Mudaram os textos. Eu acabei mudando junto.
Os meus textos nada são que o reflexo daquilo que sinto, da confusão dos pensamentos e dos sentimentos que nem eu sei as vezes conceituar.
Desde o momento que comecei a transcrever para o papel o que se passa comigo e minha visão sobre o mundo, eu mudei. Mudei com o mundo, mudei comigo, mudei com tudo. A mudança foi desde a época do colegial à novas regras de português.
Gosto de fazer leitura das coisas que eu escrevi, dos textos nunca publicados, gosto de combiná-los com música, não qualquer música, mas sim aquelas que fizeram parte de um momento especial da minha vida. Agora mesmo estou escrevendo e ouvindo uma delas: Could it be any harder, The Calling.
Hoje completo 22 anos, e sei que nesses 22 anos não tenho nem o 1/3 da vida que pretendo ter, mas sei que tenho mais que alguns que por ironia do destino já se foram.
As vezes me sinto uma velha, e levo essa sensação para a escrita. As vezes sinto que estou no auge da juventude, mas que nada é igual quanto eu tinha 17 anos, onde tudo parecia brincadeira.
Tenho uma vida diferente da qual eu planejei pra quando eu completasse 22. Não tão feliz quanto eu queria, nem tão cheia de feitos magníficos ... Uma vida que apesar dos pesares agradeço por ter. Consegui ter coisas que não esperava e surpresas maravilhosas.
Hoje ao completar 22 anos sei que ainda tenho muito o que fazer, espero poder realizar tudo o que pretendo e buscando nos textos mais maturidade e uma forma de tentar entender a mim mesma.